O lugar estava vazio, exceto por uma mosca zumbindo contra a lâmpada e o cheiro de desinfetante barato tentando, sem sucesso, esconder o odor da derrota.
— Na guerra, Lex... — ela começou, a voz arrastada pelo terceiro uísque. — Você me carregaria nas costas ou me usaria como escudo?
Eu olhei para o fundo do meu copo, havia um pedaço de gelo derretendo, uma pequena ilha de nada.
— Eu não preciso de uma foda pra te tirar da lama — respondi, e minha voz soou como cascalho sendo mastigado. — Se eu te carregar, é porque minhas pernas ainda funcionam e o peso de um corpo é melhor que o peso do vazio. Escudos são para covardes que acreditam que a vida vale a pena ser esticada por mais cinco minutos de agonia.
Ela acendeu um cigarro. A fumaça formou um véu entre nós, como uma verdade que não quer ser dita.
— E a verdade? — ela perguntou. — O que sobra dela?
— A minha ou a sua? — Dei de ombros. — Verdades são como prostitutas da rua XV, cada uma tem um preço e todas te deixam com uma coceira depois. Você tem a sua realidade, eu tenho o meu tédio e no final, o que importa é quem paga a próxima rodada antes das luzes apagarem.
Ela soprou a fumaça na minha cara.
— Realidades alternativas — ela murmurou.
— Tédio... — eu disse.
Virei o resto do copo, o álcool queimou descendo, a única coisa honesta naquela sala além do tédio que nos devorava como um berne faminto.


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