quem sou?

Minha foto
Cigarros e café, calmo e agressivo que acaba empaticamente apático. No inverno se sente bem e olhando para o oceano sabe que nada mal pode acontecer.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O balcão estava pegajoso e o ar tinha cheiro de cerveja barata e arrependimento, eu olhei para o fundo do copo, tentando encontrar alguma resposta que não fosse outra ressaca.

​— É fácil quando você gosta de alguém — eu disse, a voz saindo como o sub velho de um rádio velho. — Você vira um idiota. Esquece quem é, joga seu passado num liquidificador e aperta o botão... no final, você é uma vitamina de nada com coisa nenhuma, misturado ao cheiro de perfume barato do outro.

​Eu acendi um cigarro, a fumaça subiu, preguiçosa, como se não tivesse lugar nenhum para ir.

​— Mas aí o outro vai embora — continuei, encarando o barman que fingia limpar um copo. — E você fica ali, sentado na calçada, a primavera chega, as flores desabrocham e toda aquela droga de pólen começa a cair. E dói, entende? O que devia ser bonito vira sal na carne viva, a beleza do mundo é um insulto quando você está sozinho e o copo está vazio.

​Dei um gole no que restava do conhaque, o gosto era horrível... perfeito.

​— O amor é uma arma carregada meu caro, o verão é só a estação onde o sol bate mais forte nas suas cicatrizes.


Nenhum comentário: