quem sou?

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Cigarros e café, calmo e agressivo que acaba empaticamente apático. No inverno se sente bem e olhando para o oceano sabe que nada mal pode acontecer.

sábado, 30 de outubro de 2010

Avanço desodorante original desde 1966, spray, 85ml

Não existe mais aquela história de complicar, acho que não há mais volta, a última gota do elixir da vida se evaporou e o espírito está seco, podre, morto.

Você faz o possível, o melhor que pode, relevando a merda que todos jogam em sua cabeça, sorrindo (fake plastic trees), pensando que tudo vai acabar bem, se enganando para ser feliz, sem pisar, sem maltratar alguém, acreditando que o karma irá te salvar e te levar de uma hora para outra para um lugar melhor, com um espírito elevado.
E simplesmente te cortam, te torturam, te humilham só para ver até onde você aguenta, até quando suportará todo esse cinismo-hipocrisista-humano(inumano?)-universal.

Te derrubam e você levanta, te roubam (sem conotação materialista) e você se amortece e cada vez mais acaba por sentir menos, menos de tudo, não sente nada até sobrar nem o nada para sentir.

E o seu sorriso continua lá, esculpido num amortecimento, um sorriso, sem som, sem calor sem nada, poliestireno rachado, só algo, estranho.

Eu sei, nós sabemos que fazemos parte daquele time, os estranhos do colégio, os esquisitos da rua, os feios da sociedade, cobain-johnston-yorke..........

E tudo o que fazemos é sorrir de toda essa merda que antes mesmo de nascer já conhecíamos e a maioria nunca vai entender.

Desejo uma bela merda amarela liquida com milhos e feijões não digeridos para todos

Bjo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

a merda em sua honestidade completa.

ela diz que me ama
eu digo que gosto dela

ela escreve cartas com 15 linhas
eu as retorno em 3 linhas

ela me da muita atenção
eu divago pelo mundo enquanto ela fala

ela escova os dentes
eu fumo cigarros

ela manda recados de amor
eu sorrio pela metade

o céu está em sua cabeça
o inferno está na minha

ela fala que vai se arrumar pra sair
eu estou com a mesma calça já há duas semanas

ela tem fé em tudo
eu não acredito que existo

ela quer viver o máximo que pode
eu já morri há muito tempo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Im a man

Não conseguia dormir e sentia que havia esquecido alguma coisa. Levantei da cama e procurei no quarto, na sala, na casa inteira, não encontrei.
Então voltei pra cama e amanheci acordado.

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma coisa legal

O tempo inteiro ele via pessoas morrendo, desde recém nascidos a velhos de quase 100 anos. Ele tornou-se distante, frio, como se tivesse secretado uma concha, cristais de calcita por todo seu tecido epitelial e coração, mas mesmo assim gostava de observar os corpos inertes na maca de hospital, com suas roupas, com sua inércia..
Gostava de sentir-se triste e pensar que aquela pessoa nunca mais vestiria aquele jeans velho surrado e confortável, nunca mais amarraria os tênis que a levaram para os mais variados lugares e não colocaria aquela jaqueta parca impermeável verde-escuro que lhe aqueceu e protegeu do vento frio e da chuva. Percebia que não eram simples objetos e que eles estavam mortos igual aos seus donos, estavam sem sabor, preto e branco.
- "As coisas só vivem por que vivemos", gostava de pensar.
- "As pessoas morrem", costumava dizer.
- "Me enterrem de pijama", foi seu ultimo pedido.