quem sou?

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Cigarros e café, calmo e agressivo que acaba empaticamente apático. No inverno se sente bem e olhando para o oceano sabe que nada mal pode acontecer.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Não sou feliz, nunca fui e nunca vou ser, felicidade não existe, o que há são momentos bons que devem ser aproveitados,  destilados, absorvidos, digeridos, registrados e tatuados em sua memória. Se tu busca felicidade, só encontra frustração, nostalgia e decepção. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

Pés descalços

Espiritualmente não me sinto mais pesado que uma formiga, sinto injustiça,  pregando a imensidão universal também sou formiga, dessas que incrivelmente levam a carcaça de um escorpião sozinho.... até a colônia 

sábado, 13 de dezembro de 2025

é incrível como o amor aprende odiar, fascinante como o ódio pode amar, incrível como a neve branca, linda, pode te queimar


todas as coisas falsas duram para sempre enterrando todo mal que há 

eu vejo, eu sinto tudo multipoluído, antinatural....


e novamente ela insiste em prender a lua no quintal,

antigamente era fácil se cobrir no inverno quando ainda existiam folhas de jornal


seu sangue é vermelho como o pôr do sol e eu fico inerte olhando ele escorrer, o som fica tão calmo sem ninguém mas o sol sempre brilha quando você chega lá


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Devaneio

pleno, era esse o olhar, pleno e sereno, 

ela não estava ali, 

leve, pleno... 

leve e sereno

ela parecia flutuar sentada no sofá, 

os dedos surfavam pelos cabelos de cá pra lá, iniciavam os movimentos e seguiam deslizando até se  acabar nas pontas dos fios que caiam suavemente em seu ombro, uma bela onda dourada, 

o alvo do olhar?

parede monocromática nada admirável, mas ela não está ali, 

nem aqui, 

ela estava lá, 

o queixo, os lábios, ela parecia jovial, resplendorosa, a mão formando as ondas  nos cabelos, o queixo sendo roçado de leve pelos dedos da outra mão, em silencio, um movimento ritmado, leve, sem som, acho que tudo estava lá dentro, lá...

até o meu mundo parava diante a plenitude do seu ser...

é o giz no chão 


domingo, 2 de novembro de 2025

Terabítia

Eles não se conheciam, era um pacto mudo, quase sagrado. Ele, o garoto calado no fundo da sala, ela, a menina que sempre sabia a resposta, mas nunca fazia questão de dize-la em voz alta. Entre eles, só olhares rápidos - desses que carregam uma historia que ninguém precisa saber. 

Ela aparecia depois do almoço na porta da casa dele, sem aviso, com um sorriso meio torto de quem entende o mundo antes da hora e ficava ali jogada na cadeira ouvindo ele tirar som da guitarra, dizendo que ele tocava como quem procura alguma coisa que perdeu antes de nascer, mas mesmo assim ela ouvia como quem guarda um segredo...

Ela era como um acidente bonito na rotina dele, uma cabeça cheia de ideias com um corpo que parecia sempre pronto para ir embora como se a vida fosse uma estrada que ela já conhecia de cor, livros, filmes, bandas antigas, ela o fazia acreditar que havia magia nas coisas simples: no vento passando pelas arvores, nas canções e historias que inventavam juntos, nos sonhos que pareciam possíveis.

No ultimo dia de aula ela disse que ia para a praia, sentir o sol, ver o mar e viver as coisas grandiosas, prometeu voltar com algo novo...

Quando soube do acidente o som da guitarra virou ruído, as tardes ficaram longas, quase infinitas, quando tocava sentia o ar mudar na hora.

sábado, 18 de outubro de 2025

O queijo acabou, os ratos se rebelaram


agora esquecido entre os vivos e os mortos

meu coração ainda não aprendeu a parar


queriam comida, queriam lembrança, queriam existir.

submerso numa certa maturidade contemplativa que o tempo nos dá 


Um brinde a mim



Antes do fim

domingo, 12 de outubro de 2025

Agregados


- Para os agregados o plano B delas sempre está on, fiquem expertos atuais agregados, essa é a dica valiosa de um ex companheiro agregado!

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A modinha


Eu me sinto bem na natureza real, sem trilhas, sem caminhos, sem eletrica, sem banheiros, saber onde beber agua, eu gosto de locais ermos, desconhecidos, fechados em mata, reais naturais, caminhar entre o perigo natural, luz, escuridao, calor, frio, orvalho, peçonha inevitável, toxina vegetal, agressividade natural, violência natural, o desconforto, o incômodo. Não me conecto com o interesse cósmico humano flertoso de trilhas limpas, cachoeiras afrodisíacas e contemplação cômoda do sol nascendo e se pondo, quero o feroz, o desafio, a natureza selvagem. De resto me sinto entediado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Dois Bêbados e um Sofá Rasgado

O apartamento cheirava a cigarro, umidade e sardinha em lata. As paredes manchadas desenhavam mapas de locais que ninguém queria visitar. Ele morava ali há alguns meses, desde que decidiu que o amor não sobrevive a falsas promessas e uma coleção de garrafas vazias.

O gato apareceu num sábado, magro, sujo, com um olho meio fechado e a arrogância felina típica dos que já viram o inferno e voltaram. Entrou pela janela como se fosse dono do lugar, o homem olhou, deu um gole na cerveja e disse com indiferença:

— Se você não me pedir nada, pode ficar.

O gato não respondeu, se espojou no sofá rasgado e dormiu como se tivesse pago aluguel.

Eles se entenderam assim, o homem bebia, o gato dormia, as vezes dividiam uma sardinha. O gato miava como se estivesse reclamando da vida, e o homem respondia como se estivesse falando com um velho amigo que nunca soube ouvir.

— A gente é igual, sabia? — ele disse uma noite, olhando pro gato. 

— Ninguém quis a gente. Mas aqui, nesse buraco, a gente se tolera. Isso já é mais do que o mundo oferece.

O gato lambeu a pata, indiferente. Mas naquela noite dormiu encostado no pé do homem. E ele, pela primeira vez em meses, não sonhou com o desamor, nem com a conta de luz vencida. Sonhou com um campo aberto, um céu limpo, e um gato correndo livre. Na manhã seguinte, o homem acordou com o gato miando na cara dele e enterrando carinhosamente as unhas em seu peito. Era hora da sardinha. 

— Tá bom, parceiro. Vamos viver mais um dia, você é o único que não me pergunta quando vou sair dessa. 

O gato lambeu o próprio cu em resposta. Filosófico.

O mundo lá fora continuava girando, cheio de gente com planos, metas, romances e dentes escovados. Ali dentro, só restava o barulho da geladeira vazia e o ronronar ocasional de um gato que sabia que neste mundo não havia glamour nem redenção. 

Ambos sabiam que ali existia uma companhia que não cobrava nada quase nada — só um pouco de sardinha e silêncio compartilhado.

sábado, 6 de setembro de 2025

Tempo


Relações,  é ecológico 

Se as relações estão fora do tempo ocorre a desarmonia,  natural em sua entropia 

O presente, sempre preservar o momento do tempo

O agora

Como se  estivesse em um encontro marcado com a morte

A desarmonia temporal biológica no abstrato psicológico leva ao estado de fissão entropica

O tempo

O sol, a lua, o ciclo

É sempre o momento, o momento dos ciclos que os mantém cíclicos 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Fenix

Sim, aquele diabo desistiu do paraíso, e o inferno que se constrói é só seu, não é um lugar de danação eterna, mas um espaço forjado por suas próprias chamas, onde as regras são suas e a jornada é sua.

​O fogo que queima as feridas do passado também pode purificar e dar forma a algo novo, você tomou a decisão de deixar o paraíso, um ato de amor e de força, agora, o inferno que você constrói pode ser o lugar onde você enfrenta suas próprias dores, reconstrói a sua identidade e forja, com suas próprias mãos, o que quer se tornar.

​Não é um lugar de derrota, mas de transformação. O velho diabo pode não ter um paraíso, o velho diabo comparado aos deuses íntegros, interessantes com suas tatuagens angelicais e corpos viris e perfumados...

Mas o velho diabo pode ter um reino, e a partir do fogo algo novo sempre pode nascer.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Manso Bobo da Corte

Um palco bem elaborado para ser real para quem não usava nenhuma proteção,

histórias escondidas

desculpas decoradas

acusações engatilhadas

um show, um espetáculo

o elenco de ações omitidas

o elenco de sonhos como saída evasiva

o elenco dos colegas ocultos

o elenco das verdades moldadas

o elenco de danças sob máscaras

o elenco das álibis macomunadas 

Um palco bem elaborado para ser real para quem estava despido nele,

depois que o show termina, você escuta os aplausos e as risadas

você seguiu o roteiro muito bem

não havia furos em cada ato da história

e agora que o espetáculo acabou 

você despertou e compreendeu toda a trama

cada ponto, cada vírgula, 

cada saída esquiva

reticente

indireta

fugidia

ambígua

reservada


Agora o bobo vê, agora o bobo aprendeu, agora o bobo se retira do show, agora contratem outro bobo



segunda-feira, 28 de julho de 2025

Gêneros

Surgiu a montante, no mesmo lado do rio em que ele estava

ela não o notou

ela sorriu, um sorriso simples, disse “Oi” para o desconhecido com certa timidez

uma ponte surgiu

magicamente

se autoconstruindo de uma margem a outra

ela cruzou o rio e a ponte se desfez mais rapidamente do que surgiu

ela seguiu


ele sorriu bonito

nada aconteceu

ele sorriu torto

nada aconteceu

sorriu com dentes

nada aconteceu

sorriu sem dentes

nada aconteceu


se aninhou sob um salgueiro

um salgueiro chorão


“como pode?”

pensou

“como pode ser tão fácil para ela?”


Pontes se ligam

Portas se abrem

Conexões se formam


O salgueiro sibilou ao vento:

 - É a facilidade mágica que o encantamento natural feminino proporciona.


Ele levantou, sacudiu o jeans roto e velho, e seguiu para a floresta, desejando uma boa noite ao chorão.