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Cigarros e café, calmo e agressivo que acaba empaticamente apático. No inverno se sente bem e olhando para o oceano sabe que nada mal pode acontecer.

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma coisa legal

O tempo inteiro ele via pessoas morrendo, desde recém nascidos a velhos de quase 100 anos. Ele tornou-se distante, frio, como se tivesse secretado uma concha, cristais de calcita por todo seu tecido epitelial e coração, mas mesmo assim gostava de observar os corpos inertes na maca de hospital, com suas roupas, com sua inércia..
Gostava de sentir-se triste e pensar que aquela pessoa nunca mais vestiria aquele jeans velho surrado e confortável, nunca mais amarraria os tênis que a levaram para os mais variados lugares e não colocaria aquela jaqueta parca impermeável verde-escuro que lhe aqueceu e protegeu do vento frio e da chuva. Percebia que não eram simples objetos e que eles estavam mortos igual aos seus donos, estavam sem sabor, preto e branco.
- "As coisas só vivem por que vivemos", gostava de pensar.
- "As pessoas morrem", costumava dizer.
- "Me enterrem de pijama", foi seu ultimo pedido.

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