quem sou?

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Cigarros e café, calmo e agressivo que acaba empaticamente apático. No inverno se sente bem e olhando para o oceano sabe que nada mal pode acontecer.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Atol

um luto pelo sonhador romântico

um luto pelos planos desfeitos e enterrados

um luto pela união e aliança abandonados pelo universo 

um luto pelas memorias que se tornaram uma realidade alternativa esquecida em um sonho distante

um luto pela desistência devido a traição daquele soldado da trincheira

um luto pela superficialidade mundial


faz parte, a vida é morte, vivendo até  morrer...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Cinzas em cinzas

Eu estava jogado na poltrona, observando as baratas que pareciam ter mais planos de vida do que eu. O vazio no meu peito era um buraco negro que engolia qualquer tentativa de demência social.

​— Eu não vim aqui para te salvar, meu bem — eu disse, sem tirar os olhos do teto. — Eu vim para trazer uma dose de caos a esse mundo que já está morto. Não espere normalidade de mim, a normalidade é a maior das alucinações.

​Ela estava no canto, tremendo, oscilando entre o ódio puro e a adoração absoluta. Os olhos dela brilhavam com aquela eletricidade perigosa de quem pode te beijar ou te esfaquear em questão de segundos.

​— É, eu percebi mesmo! — ela cuspiu as palavras, a voz carregada de uma mágoa que parecia vir de séculos atrás.

​— Se você percebeu, então me destile logo — eu disse, servindo mais um copo de conhaque. — Pare de reclamar da vida, dessa existência medíocre. Foda-se tudo, nada disso importa daqui a cem anos, nem agora.

​Ela deu um soco na mesa, as unhas cravadas na madeira. O rosto dela mudou, a vulnerabilidade se tornando uma fúria desesperada por ser notada.

​— Sim, para você é sempre "foda-se tudo", porque você é um covarde que se esconde no nada! — ela gritou, e eu vi uma lágrima solitária trair o seu ódio. — Mas não é assim que as coisas funcionam na minha cabeça. Eu estou sentindo tudo em dobro, eu estou morrendo aqui! Eu quero mais de você. Eu preciso que você me segure antes que eu desapareça.

​Eu olhei para ela. A dor dela era real, mas para um niilista, até a dor é um ruído desnecessário.

​— Ok, compreendo. Você tem razão, dentro desse seu inferno particular. Mas e você? — eu perguntei, inclinando a cabeça. — Se eu me entregasse, você teria coragem de me dar mais de você? Ou você só quer alguém para culpar pelo seu próprio vazio?

​O rosto dela se fechou instantaneamente, o gelo tomou o lugar do fogo. Ela recuou, se abraçando como se protegesse um segredo terrível.

​— Não se eu não quiser — ela disse, com um sorriso frio e doentio.

​Eu dei um último gole no conhaque, sentindo a queimação na garganta.

​— Então...

​Eu sabia que aquela conversa não levaria a lugar nenhum, e era exatamente por isso que a gente continuava ali.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Eu sou quem?

Não sou egoísta, sou viciado

Não sou mentiroso, sou viciado

Não sou ambicioso, sou viciado

Não sou agressivo,  sou viciado

Não sou preguiçoso,  sou viciado

Não sou ignorante, sou viciado

Não sou ladrão,  sou viciado


Se tirar o vício, quem sou eu?

Quem era?

Quem serei?

sábado, 27 de dezembro de 2025

Não sou feliz, nunca fui e nunca vou ser, felicidade não existe, o que há são momentos bons que devem ser aproveitados,  destilados, absorvidos, digeridos, registrados e tatuados em sua memória. Se tu busca felicidade, só encontra frustração, nostalgia e decepção. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

Pés descalços

Espiritualmente não me sinto mais pesado que uma formiga, sinto injustiça,  pregando a imensidão universal também sou formiga, dessas que incrivelmente levam a carcaça de um escorpião sozinho.... até a colônia 

sábado, 13 de dezembro de 2025

é incrível como o amor aprende odiar, fascinante como o ódio pode amar, incrível como a neve branca, linda, pode te queimar


todas as coisas falsas duram para sempre enterrando todo mal que há 

eu vejo, eu sinto tudo multipoluído, antinatural....


e novamente ela insiste em prender a lua no quintal,

antigamente era fácil se cobrir no inverno quando ainda existiam folhas de jornal


seu sangue é vermelho como o pôr do sol e eu fico inerte olhando ele escorrer, o som fica tão calmo sem ninguém mas o sol sempre brilha quando você chega lá


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Eu deletei todas as coisas boas da minha vida, foquei só nas ruins, calamidades, drama e falsidade, foi uma virada filosófica grande, mas sendo assim eu pude sobreviver, o mundo é terrível, não se pode viver de ilusões momentâneas (felicidade) e muito menos de simplicidade, a casca foi sintetizada como uma quitina de besouro... nada de bom em uma vida, nada de bom em qualquer vida, ninguém e nada é confiável,  a verdade é  essa, esse é o ensinamento, a vida é um jogo, foque em sua verdade, sua verdade e abandone o que não foi real para você ou o que você acha que não foi verdadeiro, e assim viva sem arrependimentos e ilusões. Não existe amor nem boas intenções,  não existe amor genuíno nem condicionado, nem boa fé,  só existe manipulação e segundas intenções, e joguinhos de teste e interesse próprio, foque no mal e assim você se torna forte cagando para todo o mundo, assim se torna rico financeiramente, sem ninguém para palpitar, sem ninguém pra encher o saco... talvez o problema são os momentos únicos vividos que ninguém substitui, aquele domingo a noite que você poderia ter aproveitado mas não aproveitou, mas isso não importa, nunca importou.